Pfizer (PFIZ34): Ações da farmacêutica podem ser investimento rentável?

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No dia 9 de novembro, quando a Pfizer (PFE) anunciou os primeiros resultados positivos de seu teste de vacina para a Covid-19, o preço das ações cresceu mais de 7%.

Desde então, o preço diminuiu um pouco – mas os investidores ainda estão de olho nas ações da Pfizer (PFE) tentando prever se a vacina será uma grande fonte de renda para a empresa.

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Afinal, poderia esta vacina ser o medicamento mais lucrativo de todos os tempos da Pfizer?

Pfizer (PFIZ34): Ações da farmacêutica podem ser investimento rentável?
Fonte: (Reprodução/Internet)

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Medicamentos comuns são mais rentáveis que vacinas

As grandes farmacêuticas preferem se concentrar em medicamentos mais lucrativos como o Lipitor, que tem contribuído para a receita da Pfizer (PFE) em US$ 143 bilhões desde 1999. Ou Norvasc, um medicamento que gerou mais de US$ 50 bilhões em receita para a Pfizer nos últimos 20 anos.

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Medicamentos como Lipitor e Norvasc são tão lucrativos porque são prescritos para pacientes com uma doença comum e crônica e, desde que o medicamento seja protegido por patente, essa exclusividade se traduz em preços elevados e margens de lucro. Por exemplo, entre 2004 e 2011, quando sua patente expirou, o Lipitor gerou mais de US$ 10 bilhões por ano.

Outros medicamentos lucrativos podem tratar doenças menos comuns, mas são vendidos por preços muito altos. Por exemplo, em 2018, um frasco de 90 comprimidos de Lyrica – um medicamento que trata a epilepsia e outras doenças – custou mais de US$ 650.

Desde a aprovação do medicamento pelo FDA (Administração de Comidas e Drogas, na sigla em inglês) em 2005, o Lyrica gerou mais de US$ 52 bilhões em receitas.

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Entendendo a lógica da lucratividade das vacinas

Poderia a vacina baseada em mRNA para Covid-19 – conhecida, pelo menos por agora, como BNT162b2 – ser igualmente lucrativa? O professor de finanças da Kellogg School of Management, Effi Benmelech, acredita que provavelmente não.

Segundo ele, a economia das vacinas é diferente. Ao contrário de um medicamento que trata uma condição crônica em curso, uma vacina, e em particular uma vacina eficaz, normalmente requer apenas algumas doses para oferecer proteção para a vida.

Por exemplo, a vacina contra a poliomielite fornece imunidade vitalícia, e os adultos com risco aumentado de exposição ao vírus podem receber outra dose de reforço vitalícia. Até mesmo a vacina contra a gripe sazonal é administrada apenas uma vez por ano – e isso é para aqueles que optam por tomá-la.

Existe uma grande demanda por vacinas. Afinal, a maioria de nós recebeu algumas delas em algum momento de nossa vida. Hoje, o CDC (Centro de Controle de Doenças, na sigla em inglês) recomenda que as crianças recebam mais de 30 doses de vacina variadas até os 12 anos de idade.

Venda global de vacinas alcança US$ 8,9 bilhões

Apesar disso, as vacinas tradicionais têm margens de lucro consideravelmente menores. Em 2005, as vendas globais de vacinas totalizaram US$ 8,9 bilhões – significativamente menos do que o valor ganho no mesmo ano apenas pelo Lipitor.

Mas, na última década, houve um aumento no investimento em vacinas. Seguradoras e governos em países desenvolvidos começaram a pagar preços mais altos, e a demanda por vacinação também aumentou nos países em desenvolvimento.

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Comparando o faturamento

O medicamento mais vendido da Pfizer (PFE) atualmente é uma vacina chamada Prevnar 13, que é recomendada para todas as crianças menores de 2 anos e todos os adultos com 65 anos ou mais para proteção contra pneumonia.

Quando esta vacina foi aprovada em 2010, a Pfizer podia cobrar US$ 108,75 por dose nos EUA – muito mais do que as vacinas anteriores – e os preços só aumentaram. Em 2019, a Prevnar 13 teve receita de US$ 5,8 bilhões, mais que Lipitor, Lyrica ou Viagra.

Mas não está claro se o BNT162b2 terá o mesmo sucesso. Para começar, a Pfizer não poderá cobrar um preço de etiqueta tão alto por sua vacina contra o coronavírus.

Competitividade no mercado

A Pfizer (PFE) assinou acordos para fornecer 100 milhões de doses nos Estados Unidos, 200 milhões na Europa e 40 milhões no Reino Unido. Mas essas doses múltiplas não serão vendidas por US$ 100 ou US$ 200 por dose: o governo dos EUA concordou em pagar apenas US$ 19,5 por dose.

E enquanto a Pfizer disse que cobrará de outros países desenvolvidos um preço semelhante por sua vacina, as rivais Johnson & Johnson (JNJ) e AstraZeneca (AZN) se comprometeram a disponibilizar suas vacinas sem fins lucrativos. Por exemplo, a AstraZeneca (AZN) está cobrando dos governos apenas US$ 3 a US$ 5 por dose durante a pandemia.

Além disso, se há uma lição que as empresas e os governos aprenderam durante a crise covid-19, é que as longas cadeias de suprimentos e a dependência excessiva de alguns fornecedores específicos os colocam em risco.

Os governos compram vacinas de várias empresas e podem dar preferência aos fabricantes locais. E não há falta de concorrência: muitas outras empresas, como a Sinopharm (1099) da China, Sputnik V da Rússia e Moderna (MRNA), também estão na reta final do desenvolvimento de vacina contra Covid.

Concluindo as análises

Toda essa competição significa que, embora os lucros da Pfizer no próximo ano devam ser robustos – uma análise recente feita por Morgan Stanley estima que a receita da Pfizer em 2021 será semelhante à que obteve com Prevnar 13 em seu ano de pico – é menos claro que esse nível de vendas será sustentado nos próximos anos.

Ironicamente, quanto mais eficaz uma vacina, e a julgar pelos primeiros indicadores, a vacina da Pfizer parece ser bastante eficaz, menos provável será que gere renda no futuro. Afinal, uma vacina eficaz o suficiente poderia erradicar a pandemia e se tornar cada vez mais irrelevante.

Estima-se que o BNT162b2 gerará receita e lucro significativos para a Pfizer. Mas com toda probabilidade, não será o novo Lipitor. Ainda assim, fará algo ainda mais importante: ajudar a salvar vidas.

Leia também: AstraZeneca (A1ZN34) e Oxford podem lançar vacina contra Covid-19 em 2020

Traduzido e adaptado por equipe Folha Capital.

Fonte: Forbes.

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